Amor (es)

Uma coisa que eu sempre digo: não acredito em almas gêmeas.

Aprendi desde cedo a probabilidade múltipla de diferentes combinações maravilhosas nesse mundo de bilhões de pessoas. Aprendi também, mas isso foi mais recente, que muita gente tem não um só, mas alguns pares perfeitos ao longo da vida.

O surgimento de um novo amor não necessariamente rotula o antigo como uma escolha errada ou pior. Todos eles são parte da sua vida. E que as recordações da sua vida sejam felizes, não?

Os amores talvez sejam mesmo cada vez maiores, a gente talvez realmente ame muito mais do que antes, e penso que isso deve servir muito mais como estímulo para tentar novamente quando acaba do que pra diminuir as nossas experiências passadas.

Já dizia Vinícius: que seja infinito enquanto dure.

Embora não fosse exatamente isso o que eu queria falar aqui. Vivemos à procura do príncipe encantado. Mas para e pensa: de nada adianta me iludir que o amor da minha vida entrou num avião que eu nunca peguei. Claro, se eu não o conheci, ele nunca será ‘o amor da minha vida’. A gente sempre espera que lá fora esteja nossa felicidade, e esquece de olhar que na verdade ela está onde você está. Sei que é cliché, mas tenho posicionado isso como uma verdade na minha vida.

Importa mesmo é a nossa capacidade de ser uma pessoa apaixonante e apaixonável ao mesmo tempo. Quem tem encantos e vê encantos tem uma probabilidade muito maior de se apaixonar. Nunca me esqueço daquela velha história de cuidar do jardim para atrair as borboletas. É uma analogia bem infantil até, mas que ensina o que pra muita gente funciona como chave para achar alguém (ou ser achado, como muitos gostam de ver as coisas).

Enfim. Nada disso tudo que falei aqui explica a química e nem as afinidades acidentais. Não cabe a mim ficar entrando nesses méritos - e convenhamos - o mistério é muito mais gostoso. Vejo intercessões nas coisas que fazem as pessoas felizes.

Todo mundo gosta de sorrisos, todo mundo.

De bom humor, de histórias inteligentes. Todo mundo gosta de encontrar qualidades universais no outro. E as possibilidades são infinitas. Pra vir, basta apreciar as coisas do mundo, lançando novos olhares. Não perder a capacidade de se surpreender. Ser interessado, ser aberto, querer descobrir.

É. Talvez se apaixonar seja essencial. Mais ainda do que ser apaixonável. Mesmo que isso seja mais difícil também. ;)

vivendo e aprendendo a jogar

Crescer dói. E dói muito.
Arranca de dentro da gente um grito silencioso de socorro, afinal, quem sabe aonde isso vai nos levar?
Crescer leva tempo, e as vezes, crescemos mais em dois dias do que em toda nossa existência.  

As vezes se cresce por si só, mas as vezes… as vezes necessita-se de um empurrãozinho. De uma tragédia, um caso sem volta, um dia de chuva. 
Independe de como é o estopim desse mudança, o engraçado é saber que mudar arranca pedaço.

Não tem mudança sem dor. 

É como se a gente tivesse um braço que vive batendo na gente e nos outros o tempo todo sem o nosso controle. A gente gosta do braço, ele é importante pra gente, mas um dia, a gente senta na grama verdinha, tira o braço e o enterra sem ao menos deixarmos uma flor.

Quanta coisa a gente tem que enterrar se quiser seguir a diante. Na vida, no amor, no ser. 
Penso que mudar requer coragem, bravura, olhar fixo. Ninguem muda comendo pipoca e vendo novela, a gente muda olhando pra dentro. Cavucando fundo as coisas mais nojentas e pegajosas do nosso eu.

Aí a gente vomita tudo pra fora, fica um tempo rondando o vomito igual cachorro. Por um momento se lambe o vomito a fim de recuperar qualquer pedaço de lembrança. Mas depois de algumas horas olhando pra ele, o vomito, jogamos terra com a pata traseira e seguimos procurando novas coisas para cheirar.

Lagarta e borboleta, duas coisas numa coisa só.

Degraus e Obstáculos

Tem semanas que é díficil viver, não é mesmo?

Um santo remédio é chorar. Chorei. Chorei escondida no banheiro, chorei dirigindo, assistindo um show, debaixo do edredom e até numa estação de metrô. Sequei as lágrimas, corri de volta pro mundo real com a minha melhor expressão e disse: tô de volta!

Algumas vezes sinto essa enorme vontade de escrever simplesmente para externar algo que não sei bem ao certo o que é – e por mais que esse algo grite bem alto dentro de mim, se perde nos pensamentos corridos. Já tentei identificar o que poderia ser essa inquietude, esse pleno desejo de unir palavras e dar a elas força.

Tem dias em que o mundo talvez nunca tenha me parecido tão distorcido. E duro. Mas sinto que cada vez mais tenho me munido de ferramentas para tomar conta dele – ou pelo menos para dar conta de um pedacinho que seja. Já não me perco mais como antes, nem mesmo desanimo diante de demonstrações impiedosas. Ao contrário, vejo nelas a força que faltava para que tudo tivesse sentido. Por mais que algumas vezes a vontade seja de fugir, esconder ou chorar, enfrentar os problemas é a solução que me faz dormir. Não quero mais ter medo, finalmente.

Nem um dia…

Eu passo sem banheiro limpo, eu passo sem leite com chocolate de manhã, eu passo até meses sem comprar nada incrível se tiver economizando em nome de uma causa maior, mas eu não passo sem paixão. E quando eu falo de paixão, não é de estar necessariamente envolvido com alguém, qualquer alguém. Não falo de, em um ato de desespero, saquear o primeiro caminhão da humanidade que vire só pra não ficar sozinha. Falo da condição de acordar flutuando, virada pelo avesso, de ter por quem se desconcentrar. Enfim, eu falo da paixão, o sentimento, aquilo que tira o cidadão dos eixos.

Tem graça nenhuma botar a cabeça no travesseiro e não ter em quem pensar. Não ter motivo pra fazer cara de paisagem em uma reunião chata, pra levar algo diferente do supermercado, pra ter coragem de malhar, pra cantar bem alto, de olhos fechados e com as mãos pra cima, a música mais linda de Roberto Carlos num show do Del Rey.

Eu gosto tanto de estar gostando de alguém, que quando eu era pequena, na falta de uma figura interessante por perto, eu inventava uma paixão de bem longe, só pra não ficar com o coração sem graça, sabor chuchu. Isso quando deveria ser eu, o quê? Uma menina de seis anos, mais ou menos. Nessa idade, eu fiquei apaixonada pelo Daniel San do Karate Kid. Qual é o problema? Poderia ter sido pelo mestre, o Sr. Miyagi.

Tempos depois, foi a vez do Change Griffon, pra quem não sabe, um herói de seriado japonês dos anos 80. Mais platônico, impossível, mas naquela época eu acreditava que pra ser feliz bastavam os nossos encontros às quatro da tarde, em frente à tv. Não tinha lógica, nem havia grandes questionamentos. Eu apenas gostava dele e pronto.  E por meu japonesinho carregaria uma bazuca gigante, venceria monstros e usaria uma roupa ridícula de super-herói toda trabalhada em lycra coladinha no corpo inteiro, em pleno calor infernal que faz em Recife (o que, por si só e pensando bem, anularia qualquer possibilidade de conseguir carregar uma bazuca gigante, vencer monstros e ainda sobreviver pra amar). Mas eu amava. Ou achava que amava. E como era bom. Simplesmente bom.

É, porque se apaixonar quando se é criança é bem menos complicado. Você gosta porque sim. Não tem previsão do horóscopo. Não tem relógio biológico. Não tem checklist. Idade? Trabalho? Inteligência? Beleza? Personalidade? Planos? Preferência musical? Coitada da paixão. No mundo adulto às vezes são tantas interrogações que ela fica tontinha e nem consegue florescer. Talvez porque depois de algum tempo de estrada, depois de algumas decepções, a gente começa a, sem querer, medir o retorno do que poderia ter de investimento do sentimento, quando o sentimento em si deveria ser o bastante, vir primeiro do que qualquer pergunta.

Ai se fosse, ou, como diria o poeta Zé da Luz, “ai se sêsse” mais simples o querer, leve e espontâneo como bate o coração de uma menina. Se bem que hoje que já sou uma mocinha, não vou ficar me apaixonando de repente por qualquer cara que apareça na tv, embora toda vez que eu veja Cauã Reymond pense em mudar de ideia. Mas quando olho diferente pra alguém, tomo como exercício calar o pensamento e dar ouvidos apenas ao que vem de dentro, ao que realmente importa. Saudade, desejo, admiração, bem-estar, amor – de cada um desses sabores é que é feito um coração “Apaixocólico”, que nem o nome de uma certa música de um cara que eu aposto que se apresenta assim: “ meu nome é Erasmo Carlos e estou há menos de um dia sem me apaixonar”.

Shadow Days

(…) I’m a good man with a good heart
Had a tough time, got a rough start
And I finally learned to let it go
Now I’m right here, and I’m right now
And I’m hoping, knowing somehow
That my shadows days are over
My shadow days are over now (…)

I’ve got the love

E tem tempo que eu estava com esse texto na cabeça, só que os os últimos dias, ou os últimos meses foram tão difíceis, que eu realmente não consegui expressar a felicidade que eu senti no dia  24/01, véspera do feriado de São Paulo.

Em dezembro, numa atitude totalmente individualista, comprei o que seria pra mim, um presente antecipado de aniversário: o show para ver Florence + the machine ao vivo!

Mais do que estar bem em frente a minha banda preferida dos últimos tempos, estaria ao lado de uma das minhas amigas mais queridas: Desa!

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Acontece que na semana que antecedia o show, a bruxa estava solta, meu carro quebrou bem numa típica noite de verão, em baixo de uma puta chuva! Conclusão, lavei a alma e travei o pescoço. Uma semana com colete cervical, mas e o show? Eu fui, com o colar bapho e toda a ansiedade de um adolescente no seu primeiro show da sua banda preferida.

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E, às nove da noite, as luzes do palco se apagaram. Alguns fachos de luz percorriam enquanto os músicos entravam ali e surgia no telão ao fundo a imagem de vitrais de igreja.

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Aos primeiros acordes de “Only if for a night”, ela entrou. Braços abertos. O Caftã amarelo alaranjado divino balançando com o vento naquela noite de verão, a única que não choveu!

Cabeleira ruiva nada domada. E sorisso no rosto ao entoar as primeiras palavras. Não consigo explicar, mas as músicas dela entram em mim e me dão uma sensação inebriante. Comecei a pular e cantar todas as palavras, no mesmo ritmo e emoção que a própria Florence propunha no palco. Ela é enérgica. Rodopia muito. Joga os cabelos para frente e para trás como um chicote.

Entoou músicas do “Ceremonials”, seu último álbum. E, de repente, uma batida de coração, sim era “Cosmic Love”, e aqueles versos entravam em mim como uma flecha… “Then I heard your heart beating, you were in the darkness too. So I stayed in the darkness with you”. O sentimento, pra mim, era esse. Dentre a escuridão, eu sentia um calor e um encantamento propício de um amor. E ela emendou cantando minha música preferida, que não estava em seus setlists anteriores: “You’ve got the love”. Posso chorar nesse momento? Claro que posso, a Desa ria de mim, e pedia que eu parasse com aquilo… Mas aquele choro era bom.. era uma sensação de vida feliz, de que eu tenho amor por tanta gente e tanta gente tem amor por mim.

Ela lembrou também de quando cantava Etta James no banheiro e seu empresário a ouviu. Deu pra ver que ela estava realmente emocionada ao cantar aquela música ali, sozinha, sem acompanhamento.

E enfim chegou “Dog Days Are Over”. Todos pensaram: Já? Última música do show? E Florence brincou com a plateia. Brincava de pular e todos tinham que fazer o mesmo. Pegou uma bandeira do Brasil, rodou e a colocou em cima do nível onde estava a bateria.

Subiu ali, e, desengonçadamente tentou explicar, fazendo mímica, que queria que todos pulassem com ela. Tentou falar em português o máximo que conseguiu. E saltou, junto do anhembi inteiro, que já acompanhava nas palmas da música.

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O show poderia terminar ali, mas ela ainda tinha animação o suficiente pra cantar outros hits até anunciar que “No Light, No Light” era a última música e que todos aproveitassem muito o show do Bruno Mars.

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Meus dias de cão não terminaram, mas ao menos naquela uma hora esqueci qualquer coisa, entrei no ritmo e fui feliz. “Never let me go”, ela bradou em uma de suas músicas. E é isso ai, você pode nunca deixar as pessoas partirem da sua vida, basta você querer!

“O Eterno se …

“O Eterno se mostra bom para aquele que espera nele, para a mulher que busca com diligencia. Boa coisa é, quando jovem, suportar com paciencia as provações. Quando a vida esta difícil de suportar, entregue-se a solidão. Recolha-se ao silencio. Curve-se em oração. Não faça perguntas. Espere até que surja a esperança. Não fuja das provações: encare-as. O “pior” nunca é o pior” Lamentações 3:25-30

amores finitos

Ah o amor…

Não acredito em almas gêmeas. Acredito que muita gente tem não só um, mas alguns pares perfeitos ao longo da vida. O surgimento de um novo não necessariamente rotula o antigo como uma escolha ‘errada’ ou ‘pior’. Os amores talvez sejam mesmo cada vez maiores, a gente talvez realmente ame muito mais do que antes, e isso deve servir muito mais como estímulo para tentar novamente (quando acaba) do que pra diminuir as nossas experiências (as mais preciosas).

Acho bem errado um pensamento que vejo cada vez mais na cabeça das pessoas: “minha prioridade é ser feliz”. Não que eu ache o pensamento em si errado, mas tudo o que vem junto dele. As pessoas não se esforçam numa relação, se entregam à paixão (que muitas vezes também chamam de forma errada de amor) e acham que isso basta. E quando começa a dar errado, é só separar, já que está sendo tão infeliz. Quando se está em uma relação, tem que se pensar a dois. Se um quer ir em tal lugar, não é simplesmente o outro falar: pode ir. É preciso fazer esforços.

 

Lembrei-me de uma cena que me tocou muito num filme chamado Namorados para Sempre (Blue Valentine): Logo no início do filme, a mulher encontra seu cachorro morto. E o marido fala algo do tipo: ‘eu disse que era para manter o portão fechado!’ E eu me pergunto: Adianta falar isso nessa hora? O cachorro não vai voltar a viver. É ampliar o sofrimento daquela pessoa querida. Quantas vezes já me falaram ‘I told you so’ e o meu sentimento na hora sempre foi de fúria. E acho que é em pequenas coisas assim que um amor vai minando.

Perdoem meu coração, mas eu não consigo entrar numa relação pensando: ‘se der errado separa’. Para mim é preciso estar atento ao que se fala. É fazer, mas fazer com boa vontade, nunca cumprir só pra constar. Esquecer ultimatos. Pedir com cuidado. Recuar. Esperar. Não insistir.

Aprender a falar sinto muito e saber onde estão os limites. Não é fácil. Mas não sinto que seja impossível. Sei que chega uma hora em que é inevitável o término, e que talvez ele seja melhor. No fundo eu penso que os amores são finitos mesmo. Só acho que estamos todos cômodos demais e talvez por isso eles sejam cada dia menos duradouros.

Um sábado chuvoso

Sábado é aquele típico dia que você quer fazer tudo, e acaba não fazendo nada, ou bem menos do que gostaria.

Neste sábado a noite, a chuva cai pela janela, forte, decidida a lavar tudo lá fora… E eu, aqui dentro, invejo a imposição dela… Não dou um passo para trás e muito menos pra frente.
A chuva empurra minhas vontades juntamente com a brisa que entra pelas frestas da janela…
O sentimento de vazio e solidão se mistura a outros milhares de sentimentos que vão e vem, e vão e vão como o vento..

Minha mãe vem beijar a minha testa e desejar que eu tenha uma boa noite…Eu gosto disso, eu gosto de poder gostar.

É uma sensação boa esse gostar de pessoas. E as pessoas gostarem da gente.

Sei lá..

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Sabe o amor?

Hora de dar boas vindas para a segunda-feira que acabou de bater a sua porta.

É hora também de abrir um pouco o coração e quem sabe talvez, dar um lindo bom dia para o amor. Sim, o amor.

Ele pode ser manifestado de várias formas e maneiras. Basta ter o coração aberto, para que seja possível percebê-lo nos pequenos detalhes, gestos e nas pequenas ações.

Muitas vezes, não é preciso um amor avassalador para mostrar que o amor existe e que ele está batendo a sua porta. Se você tem um amor ótimo! Conserve esse sentimento, valorize e aprenda. Mas se você acredita que ainda te falta um grande amor, repense.

Afinal, seus pais e amigos te amam e é preciso ter serenidade para reconhecer e identificar esse sentimento. E para reconhecer, basta ter o coração aberto livre de julgamentos e preconceitos.

Para os que acreditam e vivenciam o amor, um excelente início de semana.

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